terça-feira, 23 de outubro de 2007

Cadê o outro lado? Ops, esqueci.


Abordar todos os lados do fato e ouvir mais de uma fonte, nem sempre está presente no cotidiano de "O Diário"


Equipe Matéria PrimaO jornal "O Diário do Norte do Paraná" é um veículo de comunicação bastante lido em Maringá e região, por trazer notícias de interesse da população. Mas o jornal deixa a desejar quando o assunto são fontes de informação e visão de todos os ângulos da notícia.


Um dos maiores objetivos do jornalista é mostrar o fato, o acontecimento, procurando ser sempre imparcial. O que aprendemos durante todo o curso de jornalismo é que as fontes devem ser checadas quanto à legitimidade das informações concedidas e que a verdade deve ser sempre o ponto norteador do nosso trabalho. Nesse contexto, ouvir todos os lados de um mesmo fato e ter mais de uma fonte de informação sobre determinado assunto é fundamental para se conseguir uma boa reportagem.


O que ocorre é que alguns profissionais e alguns veículos de comunicação se "esquecem" desses "detalhes" tão importantes. Analisando as edições dos dias 3, 4 e 5 de outubro deste ano do jornal "O Diário", pode-se perceber que várias reportagens publicadas pelo veículo não buscam verificar o "outro lado" da notícia, muitas nem se dão ao trabalho de entrevistar mais de uma fonte, apresentando os fatos apenas sob um ângulo. O que acontece é que essas reportagens acabam não informando. Ao contrário, muitas vezes, desinformam e confundem os leitores.


Reportagens superficiais, demonstrando até "certa" parcialidade, são comuns em "O Diário", em detrimento da informação, clareza e imparcialidade, pontos fundamentais e centrais no exercício do bom jornalismo.


É claro que um jornal local, que traz informações locais, é importante para manter a população atualizada e informada sobre os fatos que acontecem em sua cidade, sua região. Mas o fato de publicar notícias locais não isenta o jornal de exercer o jornalismo como deve ser.


Um exemplo de falta de fontes de informação é a reportagem "Prejuízo com depredação está diminuindo, afirma prefeitura", publicada em "O Diário" no dia 4 de outubro. Nessa reportagem, aborda-se o fato de um disque-denúncia instalado em Maringá, ter ajudado na diminuição dos casos de vandalismo e também de furtos na cidade. A fonte ouvida é o gerente de defesa social da prefeitura, que afirma que houve um decréscimo nas depredações e nos furtos, após a implantação do programa, mas nenhum morador de nenhum bairro da cidade foi ouvido para saber se realmente o tal disque-denúncia ajudou a diminuir o vandalismo e os furtos na região em que vive. Nessa reportagem, ouvir o outro lado da notícia seria essencial para acrescentar credibilidade ao fato.


Em outra reportagem, "Mistério envolve morte de rapaz em Maringá", publicada no dia 3 de outubro. O relato é sobre um rapaz que foi baleado na cidade. Em nenhum momento houve o interesse em ouvir a família da vítima, que é de outra localidade, para saber se eles têm alguma informação sobre o assassinato do rapaz. A única fonte citada na reportagem é a namorada da vítima, com quem ele tinha brigado horas antes de sua morte.


Abordar todos os lados, cercar os fatos, investigar, são alguns pontos essenciais para se ter uma notícia real e correta. O jornal "O Diário" deveria tentar fazer o cruzamento das informações, buscando outras fontes, na tentativa de levar sempre ao leitor todos os ângulos envolvidos em determinado fato, para ter a certeza de que as informações transmitidas para os leitores são confiáveis e para que o leitor mantenha confiança na publicação.


É essa falta de informações, e de fontes, encontrada em diversos veículos de comunicação que leva os leitores à confusão, os fatos não ficam bem esclarecidos e as dúvidas, que deveriam ser sanadas com a leitura do jornal, só aumentam.






Michael Vieira da Silva - 22.10.2007 18:32:47Em relação ao texto “Jornal esquece ‘o outro lado’ da notícia”, publicado no jornal Matéria Prima, edição n 228 :

O Diário concorda integralmente sobre a necessidade de os veículos de comunicação adotarem com rigor a prática de ouvir o outro lado ou todos os lados da notícia e gostaria de afirmar que contempla obrigatoriamente esse princípio ético em todas as suas matérias.
Norma interna a esse respeito diz claramente: “Qualquer pessoa, empresa, entidade, governo ou órgão que sofra acusação da polícia, promotor, entidade, cidadão ou apuração jornalística, deve ser entrevistado e ter a sua versão divulgada simultaneamente à notícia”. E mais: “O mesmo procedimento será adotado em matérias que expressem conflito de interesses. Todas as partes envolvidas, ou seus representantes legais ou corporativos, devem ser ouvidos na mesma matéria”.
Por outro lado, O Diário lamenta que princípio tão valoroso para a sua Redação, sobre o qual, repita-se, assina embaixo e não abre mão, tenha sido equivocadamente utilizado para atacar conceitos do jornalismo que praticamos.
Em resposta aos dois casos apontados no referido texto, esclarece abaixo:
A matéria “Prejuízo com depredação está diminuindo, afirma prefeitura” (4/10/2007, pg. A4), teve o objetivo de informar a diminuição de gastos do poder público com a reposição e consertos de peças quebradas em atos de vandalismo. Não teve a intenção de fazer estatística sobre aumento ou diminuição do vandalismo, mas expor os números existentes (e essa era na ocasião a novidade sobre o assunto).
Além disso, a reportagem não se limitou a esse enfoque isolado, ao contrário do que analisa o referido texto. Um boxe realça que canteiros na área central são danificados pela própria população; legenda em foto de 4 colunas informa que em canteiro central da Avenida Tiradentes “espaços reservados ao urbanismo estão sendo destruídos por cavaleiros e pedestres”; e a matéria principal deixa claro também que na iluminação pública as depredações prosseguem, ao custo de R$ 10 mil por mês aos cofres municipais. Ou seja: o jornal deixou evidenciado que o problema continua, apesar da diminuição dos gastos oficiais.
O Diário sempre abriu e continuará abrindo espaços para a população da área central e bairros se manifestar sobre a violência ao patrimônio público. Esta matéria teve um foco específico, devidamente explorado. Se contribuiu para conscientizar, esclarecer ou despertar a cidadania, cumpriu o seu papel. Moradores de bairros poderiam ter sido ouvidos? Claro que sim. E os especialistas? Igualmente, sim. Mas não obrigatoriamente nesse dia e nesse espaço.
O mesmo se aplica sobre a outra reportagem mencionada, “Mistério envolve morte de rapaz em Maringá” (3/10/2007, pg. A7). Seria muita pretensão ao jornalismo, a partir da localização de um cadáver às 7 horas, já no dia seguinte dar informações que as autoridades e a justiça levam dias, meses ou até anos para elucidar – quando isso acontece.
A reportagem ouviu sua namorada, com quem morava. A crítica tem razão ao lembrar que a experiência mostra que nenhuma pista pode ser desprezada. Mas o papel de investigação criminal cabe primordialmente às autoridades. Ao jornalismo, cabe primeiramente a reprodução fiel dos fatos possíveis de serem descritos e cobrar a ação das autoridades se houver omissão.
É ilusão supor que uma reportagem ou até mesmo uma edição inteira possa esgotar plenamente um assunto. O bom jornalista sabe que a verdade se estabelece com a obstinada prática do ofício no dia-a-dia. Podem faltar ingredientes, mas não podem faltar a boa fé e a vontade de alcançá-la.
Por fim, em se tratando de estudantes de jornalismo tão motivados em pegar falhas de O Diário, cabe perguntar para que reflitam enquanto é tempo, antes de se lançarem na prática do ofício que é de fato espinhoso: não se enquadrou nos critérios de “ouvir o outro lado” procurar O Diário para que se pudesse confrontar as hipóteses com os fatos? Não interessou aos autores, sob o ponto de vista acadêmico e na condição de futuros profissionais, saber as razões do jornal enquanto protagonista das observações que fizeram?
Teriam ao menos sido coerentes com a receita correta, porém tão mal defendida, de “cruzar informações e buscar outras fontes, na tentativa de levar sempre ao leitor todos os ângulos envolvidos em determinado fato, para ter a certeza de que as informações transmitidas para os leitores são confiáveis e para que o leitor mantenha confiança na publicação”.
Michael Vieira da Silva
Diretor de ConteúdoO Diário do Norte do Paraná
Av. Mauá, 1988
Maringá,PR
Brasil
87050020
F: +44 32216022

Um comentário:

Isabela Amaral disse...

Pois é, o pessoal do terceiro ano de jornalismo acaba "queimando" o curso do Cesumar por publicar metérias mal feitas como essa. Acho que não só os alunos mas também os professores que acompanharam o andamento do jornal devem ficar mais atentos após esse episódio vergonhoso...