segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vai pro Conune?

Wil Scaliante

Será realizado nos próximos dias 15, 16, 17, 18 e 19 de julho, o 51º Conune (Congresso da União Nacional dos Estudantes) em Brasília.
Se você vai ao Conune, aqui vão as dicas da UNE para se organizar, obs: não foram divulgado os alojamentos (estes devem ser definidos por delegação na hora e credenciamento), muito menos o cronograma...cadê o cronograma? cronograma?

Alojamento
Quem levar barraca ficará na área externa do alojamento. Nas salas de aula só ficaram as pessoas que levarem apenas colchonetes. A noite, a variação térmica de Brasília nesta época do ano é de 10º a 15º C, portanto, não se esqueça do cobertor. Não deixe seus pertences no alojamento, pois a UNE não se responsabilizará por eles. Caso leve barraca, tranque-a com um cadeado. Leve seus objetos de valor sempre com você.

Refeições
Ao credenciar-se, os participantes do 51º CONUNE receberão tikets refeição para o café da manhã, almoço e jantar dos cinco dias. A perda de um dos Tikets impossibilitará a pessoa de realizar a refeição. Não haverá reposição em hipótese alguma, portanto, guarde-os em local seguro. As refeições serão oferecidas no refeitório da UnB.

Transporte
Os ônibus farão o transporte do alojamento para a UnB, onde acontecerão os debates, no fim das atividades os ônibus voltarão ao alojamento. Se não for seguir a programação, avise o responsável pela sua delegação.

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

Wil Scaliante

...PARTE III...

O AMANHÃ E O PIQUETE

Na foto: Regis Debray

Nascidos do triunfo da Revolução Cubana, e graças a convicção que crescia nos meios estudantis de que o imperialismo havia entrado em crise terminal e de que toda a América Latina estava em tempos de revolução, criam-se o “Amanhã” e “ “Piquete”.

Nessa época eram comuns grupos de movimentos estudantis fechados, discutindo as idéias de Regis Debray, foi de um desses grupos que surgiram os criadores do jornal Piquete. Esses criadores tinham uma vontade e ideal em comum, serem revolucionários.

Graças a essa influência do imaginário de uma guerrilha na América Latina, nasce o mais importante jornal alternativo dentre os estudantis da época, Amanhã. O jornal era do Grêmio da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo.

O Amanhã conseguiu fazer uma frente jornalística, unificando vários partidos de esquerda neste informativo. Produzido sobre padrões técnicos do mercado e voltado não só aos militantes, mas também a um público externo, foi de importância dentre o movimento estudantil nacional, onde fora distribuído.

Amanhã morreu quando a frente se dissolveu [esquerda], em meio a lutas que mais lembravam embates militares do que disputas estudantis. (KUCINSKI, 2003, p.56.)

Posteriormente em 1968, o Grêmio da Faculdade de Filosofia lança um novo jornal, Grêmio Informa, constituído de praticamente a mesma equipe do Amanhã, porém com um diferença, voltado apenas para o estudante. Esta época a ala estudantil estavam em pleno o processo de “racha”.

domingo, 28 de junho de 2009

E agora Beto Richa? Candidato a governador?

Wil Scaliante

Já ouviu falar do perfeito, digo, prefeito Beto Richa? Após ser acusado de trocar apoio para reeleição por cargos , surge o blog Curitibano "Frente Popular Contra a Corrupção".
O blog pergunta: E agora Beto? Como é que fica? Vai apoiar a CPI?
Com várias matérias e denuncias contra Richa, o blog é imperdível.
Será que o prefeito conseguirá empurrar a sujeira pra debaixo do tapete? Será ele o candidato a governador pelo PSDB?

Cão come maconha em parque nos EUA e fica ‘doidão’

No g1
"O labrador não havia tido nenhum problema de saúde desde que adquiriu o animal, há 11 anos, mas recentemente, após correr pelo parque Seward, em Seattle, ele voltou diferente, balançando a cabeça para frente e para trás e virando os olhos."

sábado, 27 de junho de 2009

Fenaj - Supremo julga jornalismo pelo que ele não é e atribui superpoder de regulação às empresas do setor

Duas premissas equivocadas constituíram a base de argumentação do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, do Ministério Público Federal e de oito ministros do STF para derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Com premissa errada, a conclusão só poderia repetir erro.

A primeira é a de que a atividade profissional do jornalista seria a do exercício da opinião, cujo direito estaria, portanto, impedido pela exigência de qualquer diploma. Assim, o jornalismo foi julgado pelo que não é.

O jornalismo opinativo faz parte da fase embrionária da imprensa. Na atualidade, porém, o jornalista produz informações novas (conhecimento) acerca da realidade e faz a mediação das diversas opiniões sociais que disputam visibilidade na esfera pública. Por dever ético e eficácia técnica, ele não expressa a sua própria opinião nas notícias e reportagens que escreve.

Trata-se de atividade profissional, remunerada, e não gozo de direito fundamental, o que torna a medida do STF, além de equivocada, ineficaz. Mas ela teve uma consequência ainda pior, caminhando no sentido contrário ao anunciado: eliminando a necessidade não só de qualificação, mas também de fiscalização e registro em órgão de Estado (Ministério do Trabalho), o Supremo acabou com qualquer proteção ao cidadão, transferindo o poder de regulação para as empresas do setor.

E se o jornalista passou a ser aquele que meramente expressa a sua opinião, quem provê a sociedade de notícias e faz a intermediação das opiniões sociais? Destituindo essa função de qualquer requisito em termos de conhecimento, a decisão do STF criou séria restrição a outro direito humano fundamental, o de receber informações de qualidade, um direito-meio para o pleno exercício da cidadania.

A segunda premissa equivocada é a de confundir diploma com “restrição de acesso”. O critério para decidir se um diploma deve ser obrigatório não é, como disseram os ministros, a capacidade inequívoca, cristalina, para evitar erros e danos à sociedade, porque nenhum diploma garante isso. Prova disso são os inúmeros erros médicos, jurídicos e de engenharia cotidianamente noticiados. Em vez disso, o critério mais adequado é a capacidade efetiva de um curso para qualificar serviços fundamentais para os indivíduos e para as sociedades, como é o jornalismo nas complexas sociedades contemporâneas.

Na verdade, o diploma universitário democratiza o acesso à profissão, na medida em que se dá não pelo poder discricionário do dono de mídia, mas via instituição de ensino, que tem natureza pública e cujo acesso, por sua vez, se dá mediante seleção pública (vestibular) entre todos os pretendentes a determinada profissão. Pelo menos era assim também no jornalismo até o fatídico 17 de junho de 2009. Se há problemas com a água do banho, não podemos jogar fora também o bebê (o espírito da seleção pública e democrática e a própria formação).

Ao contrário disso, e junto com a revogação total da Lei de Imprensa, dias antes, o fim do diploma deu poder absoluto aos empresários do setor sobre a imprensa no Brasil. Nada mais avesso aos anseios dos cidadãos brasileiros, que se preparam para discutir, na Conferência Nacional de Comunicação, como limitar o poder dos donos de mídia.

Com isso, o Brasil retrocede nos dois sentidos: o jornalista, entregue ao domínio do empregador, deixou de ser, para meramente estar (jornalista), a depender da situação conjuntural de possuir um contrato de trabalho, e o dono de mídia abocanha também um poder da sociedade, o de órgão regulador.

Mas o duro golpe recebido com tamanha desqualificação da atividade (até mesmo por envergonhadas empresas de comunicação) não deve nos levar a desistir. Uma das formas de luta, agora, passa a ser a própria Conferência Nacional de Comunicação, em que a importância e a singularidade do jornalismo como forma de conhecimento e de mediação social tem de ser por nós demonstrada. Afinal, alguém imagina as complexas relações sociais atuais sem o jornalismo? Esse é um debate da sociedade e não só de quem sobrevive da atividade.

É o momento, também, para assumirmos e defendermos, sem culpa, a linha de afirmação dessa identidade e especificidade do jornalismo que até agora norteia, no âmbito do MEC, o debate nacional em torno das novas diretrizes curriculares para o ensino de jornalismo.

Só conseguiremos reverter as consequências negativas do 17 de junho se houver ainda mais investimento pessoal e coletivo de estudantes, profissionais, professores, pesquisadores e escolas de jornalismo na própria formação e nessa afirmação também qualificada do campo do jornalismo, em cursos de graduação, mestrado e doutorado inequivocamente estruturados sobre a natureza da atividade, a partir da qual se organiza a sua necessária relação com as demais áreas profissionais e do conhecimento.

Precisamos continuar demonstrando para os ministros do Supremo, como já o fizemos diversas vezes, mas também para a sociedade, que todos os seres humanos são comunicadores e podem expressar a sua opinião, na medida em que isso é inerente à condição humana. E que os jornalistas são os primeiros a valorizar e defender essa condição e esse direito. A história confirma isso.

Contudo, a comunicação jornalística constitui um campo singular, e mantém com a sociedade um contrato específico, que gira em torno da prestação do serviço público de mediação do debate social e da produção cotidiana de um conhecimento novo (informação) a respeito da realidade. Trata-se de algo bastante distante da simples expressão da opinião e que também não se confunde com ficção, publicidade e entretenimento.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

Wil Scaliante

...PARTE II...

O PIF-PAF

Criado por Millôr Fernandes, ele foi o primeiro alternativo da ditadura. Pif-Paf na verdade era uma seção da revista O Cruzeiro, na qual Millôr escrevia. Devido um incidente com a Igreja Católica, a seção foi retirada da revista. Foi então que ele decidiu lançar Pif-Paf como uma revista autônoma. Sua primeira edição circulou em maio de 1964.

A revista surgiu sem um esquema profissional de produção e recebia colaborações de humoristas como Ziraldo e Fortuna. Devido à experiência adquirida por Millôr em O Cruzeiro, ele mesmo produzia quase tudo em Pif-Paf, uma precariedade que se tornou marca dos alternativos. Uma precariedade no sentido de produção, já que a revista era riquíssima em conteúdo intelectual.

A revista foi aos poucos radicalizando e ridicularizando a imagem dos donos do poder (militares). Enfatizava-se muito a palavra liberdade, em todas as edições. Na edição 8 da revista, foi publicada uma fotomontagem do general Castelo Branco, devorando uma perna de Carlos Lacerda. Depois da publicação do irônico texto “Advertência” exemplares da revista foram recolhidos. Isso foi a gota da água, para Millôr, que estava cansado da empreitada sozinho, de administrar Pif-Paf, foi o fim da revista.

“ADVERTÊNCIA!

Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se governo continuar deixando que certos jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que algumas pessoas pensem por sua própria cabeça; e, sobretudo, se o governo continuar deixando que circule esta revista, com toda sua irreverência e crítica, dentro em breve estaremos caindo num democracia.”

quarta-feira, 24 de junho de 2009

INFORMAÇÃO DA FENAJ - LUTA SE INTENSIFICA EM TODO PAÍS PELA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

Uma Vergonha! 23/06/2009 | 18:23
Entidades, parlamentares e membros do governo federal reagem à derrubada do diploma

A reação à decisão esdrúxula do STF é crescente em todo o País. Diversas posições contrárias ao fim da exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo vêm ocorrendo no Brasil. Entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras, já se posicionaram. Muitas outras colocaram o assunto em sua pauta de debates. Parlamentares discutem alternativas legais para buscar restabelecer mecanismos de valorização da profissão. Em Londrina (PR), foi entregue ao secretário do presidente Lula, Gilberto Carvalho, documento reivindicando a atualização da regulamentação profissional da categoria.

No dia 18 de junho, o presidente da ABI, Maurício Azedo, reagiu à decisão do STF. "A ABI lamenta e considera que esta decisão expõe os jornalistas a riscos e fragilidades e entra em choque com o texto constitucional e a aspiração de implantação efetiva de um Estado Democrático de Direito, como prescrito na Carta de 1988”, disse. Ele resgatou que, já em 1918, quando a entidade organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas, foi aprovada a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Uma das primeiras entidades a se posicionarem já no dia 18, por intermédio de seu presidente, Cezar Britto, a OAB reuniu seu Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais no dia 19 de junho, em Maceió. Por unanimidade foi aprovada manifestação lamentando a posição do Supremo e expressando a preocupação com suas conseqüências para a sociedade brasileira. A decisão do STF teve repercussão internacional, merecendo, também, posicionamento da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ).

Imediatamente após a decisão do STF, no dia 17 de junho, o deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS), protestou no plenário da Câmara dos Deputados. Posteriormente, outros parlamentares, como os deputados federais Chico Lopes (PCdoB/CE) e Flávio Dino (PCdoB/MA) emitiram posicionamento contrário à decisão. Em contato com a ABI e declarações à imprensa, o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ) e o senador Romeu Tuma (PTB-SP) dispuseram-se a colaborar para a aprovação da atualização da regulamentação profissional dos jornalistas. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE) inicia já nesta semana o recolhimento de assinaturas pela aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) tornando obrigatória a exigência de diploma para o exercício profissional do Jornalismo. O deputado Paulo Pimenta também tem uma proposta de texto para a PEC.

Momentos antes da decisão do STF, no dia 17 de junho, em Fortaleza (CE), quando recebeu documentos do Sindicato dos Jornalistas do Ceará e da FENAJ, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mostrou-se aberta ao diálogo com os jornalistas e disse ser favorável à regulamentação das profissões. Já no dia seguinte, no Rio de janeiro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu a criação de um projeto de lei no Congresso estabelecendo a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

A FENAJ propõe a criação de uma Frente Parlamentar suprapartidária de defesa do Jornalismo e já solicitou audiência com o ministro do Trabalho e Emprego para
discutir as novas regras para registro profissional. Nesta segunda-feira (22/6), em Londrina, onde o presidente Lula cumpriu agenda oficial, seu secretário particular, Gilberto Carvalho, recebeu de Ayoub Hanna Ayoub, diretor da FENAJ e presidente do Sindicato dos Jornalistas daquele município, documento reivindicando o apoio do presidente da República à luta dos jornalistas e a reativação do Grupo de Trabalho tripartite constituído pelo Ministério do Trabalho para discutir a regulamentação da profissão de jornalista.

Conupe - 70 anos de UPE

Wil Scaliante
Foi realizado neste ultimo fim de semana o 48º Congresso da União Paranaense dos Estudantes (Conupe), o Congresso que foi repleto de debates, começou com duas mesas paralelas, onde se discutiam a educação a conjuntura no país.
Fui convidado a participar da mesa de conjuntura, onde foram abordados vários temas que vão desde a crise, Prouni, Reuni, comunicação, dentre outros.
Posteriormente formaram-se vários grupos de trabalhos, cujo os temas eram: Cultura, Meio ambiente, Drogas, Comunicação, Universidades pagas e Universidades Publicas.
E por fim um grande debate sobre o movimento estudantil.
No domingo foi escolhida a nossa coordenação da UPE, com uma chapa da esquerda, composta por Kizomba, Trabalho, Movimento Mudança e UJS (Chapa É pra lutar, da unidade vai nascer a mudança). A Chapa "Oxigênio" (DEM e PSDB) obteve apenas 11 votos, já "É pra lutar, da unidade vai nascer a mudança", atingiu 105 votos.
Maringá tem na nova gestão da UPE, 3 estudantes na executiva, Paulo Moreira (Presidente da UPE), Gabriel Mendonza (Secretário de Universidades Públicas) e Wil Scaliante (Secretário de Universidades Pagas)

Wil Scaliante (Executiva UPE e CACS , Monique CANAC e Julio Fatori DCE Unifama)



Carlos Emar - Cacs, Lúcia - Presidente da UNE,
Wil Scaliante - Cacs e Secretário de Universidades Pagas da UPE





Delegados do Cesumar




Oxigênio (PSDB e DEM) - adesivos meio fascistas, não?



Mesa de Movimento Estudantil



Kizomba


sexta-feira, 19 de junho de 2009

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

Wil Scaliante
Começa aqui uma pequena série de posts sobre o jornalismo alternativo na época da ditadura e nos tempos atuais, com foco nos alternativos do movimento estudantil.

Pesquisa e texto: Wil Scaliante, Felipe Pamplona e Carlos Emar Mariucci.

REFERÊNCIAS:

KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e Revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. EDUSP: São Paulo, 2003)

SODRÉ, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. 4.ed. 3ª reimpressão. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2007.

As 30 melhores entrevistas de Playboy: [agosto 1975 - agosto 2005 / organização e edição Luiz Rivoiro; projeto gráfico e edição de arte Carolina Godefroid]. -- São Paulo: Editora Abril, 2005.

As Grandes Entrevistas do Pasquim/ organização : Jaguar. Rio de Janeiro, 2.Ed. , Editora Codecri, 1976.

O Melhor do Pasquim/organização: Sérgio Augusto e Jaguar. - [Rio de Janeiro]: Ed. Desiderata, 2006.

... PARTE I ...

Foram nos tempos de ditadura militar no Brasil (1964-1980) que surgiram a maior parte dos jornais alternativos. Nesse período foram criados cerca de 150 periódicos, como explica Bernardo Kucinski em seu livro “Jornalistas e Revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa”. Esses alternativos tinham em comum a oposição ao regime militar. Eles cobravam a volta da democracia, o respeito aos direitos humanos e faziam ainda críticas ao modelo econômico implantado pelo governo.

“A imprensa alternativa surgiu da articulação de duas forças igualmente compulsivas: o desejo das esquerdas de protagonizar as transformações que propunham e a busca, por jornalistas e intelectuais, de espaço alternativo à grande imprensa e à universidade.” (KUCINSKI, 2003, p.28.)

A maior parte destes jornais foram fechados e alguns jornalistas exilados.

“Os primeiros jornais alternativos nasceram do vazio deixado pelo desbaratamento da imprensa vinculada ao campo popular e pelo estreitamento do espaço crítico na grande imprensa. O golpe completava um ciclo de fechamento progressivo de jornais e revistas de esquerda”. (KUCINSKI, 2003, p.38.)

Dentre deste cenário surgiram O Pasquim, Pif-Paf, Repórter, Versus, Opinião, Amanhã, Grêmio Informa, entre outros.

Muitos intelectuais colaboravam com esses jornais, alguns até criavam alternativos. Como foram os casos de Ziraldo, Jaguar, Raimundo Pereira e Marcos Faerman.

É marca dos alternativos o humor e a ironia. Os intelectuais e humoristas colaboravam com a imprensa alternativa doando charges, desenhos e textos. Dali surgiu um estilo dos quais muitos jornalistas nunca mais se desfizeram, como Luiz Fernando Veríssimo e Ziraldo.

“O golpe militar no Brasil nasceu com um traço ridículo congênito do qual nunca se livrou. Suas primeiras ações repressivas eram marcadas muito mais pelo grotesco do que pelo trágico [...] O grotesco dos primeiros dias do golpe militar desencadeou nos humoristas cariocas uma fúria criativa que não encontrava espaço suficiente no Correio da Manhã. Ao mesmo tempo, nascia Pif-Paf”. (KUCINSKI, 2003, p.43 e 44.)

CONTINUA...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Aquele Blog

Wil Scaliante

Cronista, escritor e poeta de primeira. Thiago Damião, estudante do primeiro ano de Jornalismo, uma peça rara dentre os novos estudantes do Cesumar. Depois de Wilame Prado e Alexandre Gaioto, Thiago chega para completar o grupo dos grandes contistas.

O Motorista

Thiago Damião
Tarde de sol no Rio de Janeiro, cabrochas desfilando no amarelo da areia que reflete o amarelo do sol e que banha de luz o azul do mar. O motorista da condução estaciona rapidamente no ponto de ônibus e espera dar a hora do ônibus partir para seguir seu trajeto, ele liga o rádio, sintoniza em uma estação, não lhe agrada e procura outra estação. Encontra uma que lhe agrada, um programa de entrevistas, recém criado, com o entrevistador Miguel Arraes, formado em administração, ele exerce o jornalismo como fonte de renda e é filho de um conhecido político envolvido em esquema de sonegação de impostos e de desvio de dinheiro público. Para tamanha coincidência ele entrevistará hoje José Arraes, seu pai.

Atento ao programa, o motorista fixa os olhos no azul do mar e prende sua atenção a entrevista. Miguel começa com a apresentação.

-Boa tarde a vocês ouvintes da rádio Flanela, a rádio que passa o pano na sujeira, e ao programa de entrevistas Panela da Política, hoje com vocês o convidado especial, José Arraes, político de renome nacional, atual deputado do Estado da Bahia, grande político, em suas lutas contra a injustiça com muito suor e pouco afã deixa claro que é um exemplo de deputado e um exemplo de competência, diz em tom efusivo Miguel.

Enquanto isso, nos bastidores José Arraes conversa com seu acessor a respeito da entrevista, e pergunta se está tudo certo, se com a entrevista de hoje o povo irá esquecer das suas maracutaias e de seus esquemas de corrupção. O acessor lhe explica que tudo indica que sim, dependendo do êxito da entrevista, pois os jornais estão debilitados de profissionais competentes, afinal, os que empenhavam seu papel com seriedade foram trocados por mão de obra barata, sem o estudo necessário, então, completa, o sinal está aberto para qualquer um limpar sua imagem e criar uma imagem de santo de capela de igreja, que não comete injustiças. José tem uma idéia, apelar para o moralismo e utilizar o nome de Deus, afinal, José está envolvido na trama de armar a cama de espinhos para o povo descansar.
José entra na sala da rádio, senta-se e se apresenta.

-Boa tarde, sou José Arraes, deputado pelo Partido Democrático do Interesse Público, é um prazer estar aqui com vocês. Diz José, sorrindo.

-José, em sua luta diária contra a injustiça que assola o país, qual interesse você defende no projeto de lei que visa a educação pública? Pergunta Miguel, com discrição.

-A educação pública no país vai muito bem, subimos na média escolar e além de tudo os professores devem estar contentes, com o reajuste de 0,25% do salário, o qual eu efetuei como fixo para os próximos 5 anos, e além do mais temos um indíce de alfabetização grande, por exemplo na Bahia, todos sabem escrever e assinar seu nome, é um grande avanço para o país. Complementa o deputado.

-Olha só, que grande feito, realmente agora o país vai andar a passos grandes, diz suavemente crítico o filho, apoiando o pai.

O deputado ainda fala da economia, do risco Brasil que caiu, da crise que afeta pouco o cenário nacional, fala em criação de empregos, em diminuição de impostos e ainda fala do cantidato do seu partido, para a Presidência da República. Por fim Miguel diz:

-Conversei aqui com o grande político, exemplo de honestidade e de moral, e de caráter e de sobriedade perante os fatos, o deputado José Arraes.

O motorista do ônibus vê que está para dar o horário de partida, nem mais se lembra que seu filho teve que se mudar para uma escola pública a 5 km de sua casa, pois por falta de verba a escola da esquina foi fechada. Desliga o rádio, e segue seu trajeto, de ponto em ponto, esperando passageiros que talvez acreditem como ele, que tudo vai bem.

Há quem diga que as listras te deixam mais gordo

De moldem novo

Depois de um longo período sem Internet, voltarei a postar...
Aguardem...
Por enquanto caro leitor, de novo apenas o "No Pulo":