sexta-feira, 19 de junho de 2009

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

Wil Scaliante
Começa aqui uma pequena série de posts sobre o jornalismo alternativo na época da ditadura e nos tempos atuais, com foco nos alternativos do movimento estudantil.

Pesquisa e texto: Wil Scaliante, Felipe Pamplona e Carlos Emar Mariucci.

REFERÊNCIAS:

KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e Revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. EDUSP: São Paulo, 2003)

SODRÉ, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. 4.ed. 3ª reimpressão. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2007.

As 30 melhores entrevistas de Playboy: [agosto 1975 - agosto 2005 / organização e edição Luiz Rivoiro; projeto gráfico e edição de arte Carolina Godefroid]. -- São Paulo: Editora Abril, 2005.

As Grandes Entrevistas do Pasquim/ organização : Jaguar. Rio de Janeiro, 2.Ed. , Editora Codecri, 1976.

O Melhor do Pasquim/organização: Sérgio Augusto e Jaguar. - [Rio de Janeiro]: Ed. Desiderata, 2006.

... PARTE I ...

Foram nos tempos de ditadura militar no Brasil (1964-1980) que surgiram a maior parte dos jornais alternativos. Nesse período foram criados cerca de 150 periódicos, como explica Bernardo Kucinski em seu livro “Jornalistas e Revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa”. Esses alternativos tinham em comum a oposição ao regime militar. Eles cobravam a volta da democracia, o respeito aos direitos humanos e faziam ainda críticas ao modelo econômico implantado pelo governo.

“A imprensa alternativa surgiu da articulação de duas forças igualmente compulsivas: o desejo das esquerdas de protagonizar as transformações que propunham e a busca, por jornalistas e intelectuais, de espaço alternativo à grande imprensa e à universidade.” (KUCINSKI, 2003, p.28.)

A maior parte destes jornais foram fechados e alguns jornalistas exilados.

“Os primeiros jornais alternativos nasceram do vazio deixado pelo desbaratamento da imprensa vinculada ao campo popular e pelo estreitamento do espaço crítico na grande imprensa. O golpe completava um ciclo de fechamento progressivo de jornais e revistas de esquerda”. (KUCINSKI, 2003, p.38.)

Dentre deste cenário surgiram O Pasquim, Pif-Paf, Repórter, Versus, Opinião, Amanhã, Grêmio Informa, entre outros.

Muitos intelectuais colaboravam com esses jornais, alguns até criavam alternativos. Como foram os casos de Ziraldo, Jaguar, Raimundo Pereira e Marcos Faerman.

É marca dos alternativos o humor e a ironia. Os intelectuais e humoristas colaboravam com a imprensa alternativa doando charges, desenhos e textos. Dali surgiu um estilo dos quais muitos jornalistas nunca mais se desfizeram, como Luiz Fernando Veríssimo e Ziraldo.

“O golpe militar no Brasil nasceu com um traço ridículo congênito do qual nunca se livrou. Suas primeiras ações repressivas eram marcadas muito mais pelo grotesco do que pelo trágico [...] O grotesco dos primeiros dias do golpe militar desencadeou nos humoristas cariocas uma fúria criativa que não encontrava espaço suficiente no Correio da Manhã. Ao mesmo tempo, nascia Pif-Paf”. (KUCINSKI, 2003, p.43 e 44.)

CONTINUA...

Um comentário:

Wilson Rezende disse...

Um assunto muito interessante Wil, vou acompanhar.