quinta-feira, 25 de junho de 2009

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

Wil Scaliante

...PARTE II...

O PIF-PAF

Criado por Millôr Fernandes, ele foi o primeiro alternativo da ditadura. Pif-Paf na verdade era uma seção da revista O Cruzeiro, na qual Millôr escrevia. Devido um incidente com a Igreja Católica, a seção foi retirada da revista. Foi então que ele decidiu lançar Pif-Paf como uma revista autônoma. Sua primeira edição circulou em maio de 1964.

A revista surgiu sem um esquema profissional de produção e recebia colaborações de humoristas como Ziraldo e Fortuna. Devido à experiência adquirida por Millôr em O Cruzeiro, ele mesmo produzia quase tudo em Pif-Paf, uma precariedade que se tornou marca dos alternativos. Uma precariedade no sentido de produção, já que a revista era riquíssima em conteúdo intelectual.

A revista foi aos poucos radicalizando e ridicularizando a imagem dos donos do poder (militares). Enfatizava-se muito a palavra liberdade, em todas as edições. Na edição 8 da revista, foi publicada uma fotomontagem do general Castelo Branco, devorando uma perna de Carlos Lacerda. Depois da publicação do irônico texto “Advertência” exemplares da revista foram recolhidos. Isso foi a gota da água, para Millôr, que estava cansado da empreitada sozinho, de administrar Pif-Paf, foi o fim da revista.

“ADVERTÊNCIA!

Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se governo continuar deixando que certos jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que algumas pessoas pensem por sua própria cabeça; e, sobretudo, se o governo continuar deixando que circule esta revista, com toda sua irreverência e crítica, dentro em breve estaremos caindo num democracia.”

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