sexta-feira, 3 de julho de 2009

DO JORNALISMO ALTERNATIVO DA DITADURA AO DOS TEMPOS ATUAIS

...PARTE V...

O PASQUIM

O jornal de circulação semanal “O Pasquim”, foi fundado em 1969 no reduto da classe intelectual carioca, precisamente no círculo de jornalistas moradores do bairro de Ipanema. O veículo tornou-se em poucas edições um das maiores tiragens editoriais do Brasil, com mais de 200.000 exemplares por semana.
A notoriedade do veículo deu-se a partir da irreverência idiossincrática, que atingia principalmente ao sistema político brasileiro vigente até então. Tal pioneirismo da imprensa alternativa justificado por “O Pasquim” fez com que fosse reconfigurada uma nova linguagem jornalística. O gênero jornalístico da entrevista foi estruturado no formato pingue-pongue, que seria popularizado por outros principais veículos nos país.
Pode-se dizer que o Pasquim é o maior exemplo da mídia alternativa contemporânea no Brasil. Em um período político turbulento, quando as principais publicações que circulavam fora do circuito editoral das grandes empresas de comunicação haviam sucumbido às suas peculiaridades, tendo como principal característica a forma rudimentar de se produzir conteúdo jornalístico e não expô-las às regras de mercado.
“A imprensa, realmente, torna-se o contrário do que era, e particularmente do que deveria ser, na medida em que se desenvolve, na sociedade capitalista. O jornal é menos livre quanto maior como empresa.” (SODRÉ, 1999: 449)
Em questão de seis meses o semanário passou para as mais de 200 mil tiragens. Mesmo em meio à tamanha popularidade, a visão opositora ao regime sofreu represália, tendo retaliadas todas as críticas feitas ao governo.
Uma característica marcante deste veículo era a linguagem que não primava por academicismos, ou mesmo, um rebuscamento que visasse atingir um público mais intelectualizado. A essência estava no descompromisso com as técnicas e formalismos adotados pelos jornais de publicação convencional, dos quais baseava-se no formato jornalístico norte-americano pós anos 1950. Desta forma, tornara-se um meio alternativo popularizado, que fizera perder o sentido de alternativo. Foram mantidas, portanto, a carga humorística e linguagem caacterísticas.
“E foi assim que, repito, por acaso, o Pasquim tirou o paletó e a gravata do jornalismo brasileiro.” (O MELHOR DO PASQUIM, 2006: 8)
Dentro do contexto jornalístico, as entrevistas formuladas por “O Pasquim” se tornaram seu maior chamariz. Sem quaisquer preocupações estilísticas, o veículo ditou tendência no gênero de entrevistas ao publicar a sabatina na íntegra e sem qualquer recurso de edição. O critério por mais que pudesse parecer descomprometido, essa seria tal justificativa. Transpassar para o leitor a boemia e a informalidade transgedia os padrões, servindo até como crítica ao estilo brasileiro de se fazer jornalismo, moldado à escola norte-americana.
“Desde o primeiro número, a grande novidade d´O PASQUIM foram as entrevistas. A gente chegava, tomava umas biritas com o entrevistado (quando o entrevistado não bebia, a gente bebia por ele) ligava o gravador e depois mandava alguém datilografar o resultado do papo.” (AS GRANDES ENTREVISTAS DO PASQUIM, 1976: 9)
A partir da transgressão e da imensa criatividade, o Pasquim fixou-se como o veículo mais emblemático da Imprensa Alternativa brasileira de todos os tempos. Com uma linguagem que rompeu todas as barreiras do autoritarismo, este certamente colocou de maneira única e inteligente o humor como norteador de uma postura e engajamento políticos contrários ao regime instalado. Revolucionou o jornalismo ao ditar uma nova forma de fazê-lo, sobretudo, pela expressão de uma camada privilegiada da sociedade brasileira, que tentava se impor perante aos modelos jornalísticos padronizados de acordo com a escola norte-americana.

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