sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Excomunhão uma arma ideológica da Igreja

Wil Scaliante
Voltando no tempo...especificamente em 1184, uma cidade inteira foi excomungada pelo Bispo francês Jean de Nevers. O motivo foi que o bispo tinha uma rixa com o conde local, Pierre de Courtenay e a cidade ousou apoiar o nobre.
Duzentos anos depois, o padre Jan Hus, da cidade de Praga, foi expulso por duas vezes da Igreja. O motivo não se sabe ao certo, mas o resultado da excomunhão é relatado. Hus foi para em um calabouço no atual sudoeste da Alemanha e morreu na fogueira.
Ao longo de 16 séculos pessoas foram punidas com a excomunhão pela Igreja. No Brasil, este ano o tema voltou a tona. Isso por que o dom José Cardoso, arcebispo de Olinda e Recife, afastou uma mãe e os médicos que interromperam a gravidez de uma menina de 9 anos, vitima de estupro pelo padrasto.
Polêmicas a parte, para entender melhor, a palavra excomunhão vem do latim ex communio, ou seja, fora da comunidade. A principio era uma medida digamos...medicinal e não punitiva. Isso por que o excomungado é temporariamente exilado até que se arrependa. Mas tudo isso sem perder a condição de fiel, já que o batismo não pode ser apagado. Teoricamente a excomunhão seria apenas um grande puxão de orelhas, mas não foi bem assim na prática.
Depois do ano 325 esse afastamento virou uma arma em caso de divergências teológicas. Quatrocentos anos depois, a prática estava tão disseminada que o rei franco, Pepino O Breve ordenou que todo o excomungado fosse expulso do território francês. Ou seja, já estava consolidada mistura de religião e politicagem. Tanto que em 1587, Miguel Cervantes autor de Dom Quixote, foi excomungado por recolher parte do pão e vinho das Igrejas de Sevilha para doar ao exercito. Mas como o motivo era banal, a Igreja reviu a posição e a decisão foi anulada no ano seguinte.
Nas ultimas décadas, a excomunhão virou arma ideológica. Em 1984, o teólogo brasileiro Leonardo Boff foi condenado a dois anos de “silêncio obsequioso” por defender a teologia da libertação. O processo contra o teólogo ainda está em andamento e o atual papa Bento XVI debateu inclusive a exclusão do brasileiro. Outro atual excomungado é o bispo britânico Richard Williamson. O motivo é simples, ele negou o holocausto nazista.
Pra finalizar vamos relembrar alguns ilustres participantes da lista de excomungados do Catolicismo. O primeiro da lista é o rei Henrique VIII que ao se casar pela segunda vez, foi expulso pelo papo Clemente VII. Mas o rei não deixou barato e em resposta fundou a Igreja Anglicana.
Já o segundo da lista é nada mais, nada menos que Napoleão Bonaparte, em 1804 ao se tornar imperador francês ele retirou a coroa das mãos do papa Pio VII e corou a si mesmo. Excomungado Bonaparte em 1809 mandou prender o papa. E pra fechar essa lista, o terceiro é Fidel Castro. O papa João Paulo XXIII expulsou Fidel em 1962. O motivo é evidente, a instalação de um governo comunista em Cuba.

2 comentários:

Murilo Battisti disse...

Ótimo texto Wil, mas achei pequeno pela complexidade do assunto. Poderia explorar mais, já que você trabalha com jornalismo e história. Fiquei curioso. Deixo a sugestão de uma entrevista com algum professor (a Solange é ótima). Abração!

Stefano disse...

a mesma igreja nao excomungou Hitler
http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88