terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

De cara ou corpo pintado, com cultura Kayapó

Wil Scaliante para Revista Eu Tenho Cor

Por de traz das cores que encantam muitos e que poucos entendem, um pedaço do significado, da vivência e da cultura Mebêngokrê Kayapó


“Amre bé”, essa é uma expressão Kayapó usada para começar quase todas as histórias indígenas, parecido com “era uma vez”. Igual a nossa sociedade, os índios também têm histórias ou significados para a cor. Por exemplo, os Kayapós (ou mebêngokrê, como se autodenominam) usam dela para representar seu ambiente. E o Brasil? A nossa bandeira também foi escolhida para representar nosso país. O verde da mata, o amarelo da riqueza do ouro e o azul das águas. Na cultura desses índios, eles representam sua sociedade por meio das cores do “men okó” (o cocar).


No cocar as ordens das penas coloridas não são aleatórias. Como explica o site: www.historiadaarte.com.br, além de bonito o cocar indica a posição do chefe dentro do grupo e simboliza a própria ordenação da vida em uma aldeia. Em forma de arco o cocar contém o verde, o amarelo e o vermelho.

O verde refere-se às matas, que protegem as aldeias e ao mesmo tempo são moradas dos mortos e dos seres sobrenaturais. Um lugar considerado perigoso, já que foge ao controle Kayapó.

O amarelo indica as casas e as roças, áreas de responsabilidade da mulher. São lá, que elas pitam os corpos dos maridos e dos filhos, responsabilidade feminina na aldeia. Também é obrigação da mulher plantar, colher e preparar os alimentos.

O vermelho representa a casa dos homens, que fica no coração da aldeia. Essa casa é como se fosse uma “prefeitura” Kayapó, presidida apenas por homens. Lá eles se reúnem diariamente para discutir caçadas, guerras, rituais, conflitos com brancos e confeccionar adornos, como colares e pulseiras.

O cacique Nhakponti Menkragnotire, que concedeu entrevista por e-mail e apresentou dificuldade em escrever português, disse que as cores estão presentes na cultura indígena tradicional. Ele contou que na pintura corporal, o preto é a tintura mais comum, mas que eles também usam outras tintas como o verde da floresta, e o vermelho e o amarelo, que são usados para pintar os corpos em festas.

Menkragnotire explicou ainda que na produção do vermelho eles usam o urucum, também conhecido como colorau. O urucum é uma planta de origem da América Tropical, e é utilizado pelos índios para fins estéticos (tinta), para proteger a pele dos raios solares e também como repelente de insetos. Já para a produção do preto eles usam o genipapo, fruto comestível também oriundo da América Tropical. “Primeiro agente procurar os genipapos nos matos ai depois às mulheres fazem corte à colosso de genipapo, é tirar só a semente e depois mistura com a casca de tipo de madeira e árvores [carvão], depois de dois minutos as mulheres fazer pintura dos filhos dele ou do marido”, explicou o cacique.

De acordo com a Funai, hoje o Brasil têm em média 460 mil índios, distribuídos em 225 sociedade indígenas. A Funai explica que esse dado populacional atende apenas aos índios que vivem nas aldeias, e que além destes, estima-se que existam entre 100 e 190 mil vivendo em outras áreas, inclusive a urbana. A maior parte das aldeias dos Mebêngokrê Kayapó se encontram na região amazônica entre os estados do Mato Grosso e Pará.

Um comentário:

Anônimo disse...

esta tudo muito bem explicado!!