terça-feira, 8 de junho de 2010

A LUTA DA MULHER É UM DESAFIO PARA A JUVENTUDE

Amanda Lemes /Secretária Estadual da JPT-PR

A juventude petista no seu processo de reorganização precisa trazer para o centro de sua discussão e construção a questão do desafio da emancipação feminina, precisamos estudar e nos aprofundar nas elaborações históricas referentes ao feminismo e nos comprometermos com esta luta que é de todos aqueles que sonham com uma sociedade justa e igualitária.

Historicamente, as mulheres sofrem a opressão de gênero. Frederich Engels, em sua obra, “A origem da família, do Estado e da propriedade privada”, elabora que tal opressão está diretamente ligada ao surgimento da propriedade privada, pois em sociedades primitivas não havia formas tecnológicas de comprovação de paternidade portanto a solução para que se soubesse quem era o pai de um filho era que a mulher estabelecesse relações com apenas um homem e se restringisse ao ambiente doméstico. Isto porque no processo de acumulação da propriedade era preciso haver continuidade da posse desses bens, por isso, era preciso que um homem soubesse com mais exatidão aqueles que fossem seus filhos. Nesta lógica então, surge a clausura feminina no no interior do lar, seu dever de fidelidade, e de castidade no período anterior ao casamento. Antes, afirma Engels, havia sociedades poliandricas, nas quais mulheres mantinham relações sexuais com vários homens, e isto, era perfeitamente naturalizado em tais sociedades. É claro que tais mudanças, de sociedades poliandricas para sociedades patriarcais no qual o papel da mulher se restrigira ao ambiente doméstico, não se deram de uma hora para outra. Assim como a propriedade privada não surgiu de repente, houve um longo espaço de tempo para que as coisas se dessem desta maneira, e que houvesse o cruzamento dessas demandas: a opressão da mulher, a certeza da paternidade, junto com o acúmulo de bens.

Mas o fato é que a opressão se deu, o capitalismo se tornou um sistema complexo, e sem dúvida a opressão à mulher também mudou de forma, de cores, mas não se extinguiu. Na Revolução Industrial, mulheres foram incentivadas a entrarem no mercado de trabalho para que assim fossem ainda mais oprimidas através de jornadas exorbitantes e condições precárias, surgindo então a dupla jornada que se estende até hoje, pois além de cuidarem da casa e dos filhos, as mulheres passaram a ter responsabilidade com o sustento material do lar. Ah também que se falar que a mulher teve sua cidadania reconhecida muito recentemente, o direito ao voto da mulher no Brasil foi regulamentado em 1934, há apenas 76 anos.

Desde o surgimento de movimentos feministas até os dias de hoje, muito avanços foram conquistados, a igualdade jurídica entre homens e mulheres, os direitos das mulheres trabalhadoras relacionados à licença a maternidade, jornadas e aposentadorias em tempos diferenciados, entre tantas outras conquistas. Porém, é preciso reconhecer que há muitos pontos nos quais a mulher não está totalmente emancipada. A maternidade ainda é vista como um problema privado e não público, as mulheres quase sempre ganham menos que os homens no mercado de trabalho, mesmo tendo graus de escolaridade maiores, os espaços de poder são quase ambientes exclusivamente masculinos e a casa e sua manutenção diária é no geral obrigação feminina, entre tantas outras coisas.

E devido a tanto que precisa ser feito ainda, o movimento feminista não pode parar, é preciso reelaborar seu formato, reorganizar sua elaboração e ir à luta. E no que diz respeito a juventude, é preciso ainda mais força. São as jovens mulheres que morrem aos milhares no Brasil devido a abortos clandestinos e até agora quase sempre as autoridades tratam esta questão com negligência fingindo que nada acontece sem perceberem que é uma questão de saúde pública, e que a maternidade deve ser encarada como uma responsabilidade do Estado e não apenas da mulher. São as mulheres jovens que deixam de estudar também devido à maternidade, criando evasão desde a escola até a universidade. É também nesta faixa etária que estão a maioria das mulheres vulneráveis ao HIV, que vem sofrendo cada vez mais um processo de pauperização e feminilização naqueles que contraem a doença. É na juventude que começa as barreiras quanto ao desenvolvimento da mulher no ambiente político. No movimento estudantil, movimento que é quase exclusivamente de juventude, em sua base, isto é, quanto aos dirigentes de Centros ou Diretórios Acadêmicos, temos a maioria de mulheres, porém quando passamos a analisar as instâncias estaduais e nacional, são raras as mulheres que conseguem se manter no movimento. Na política geral o problema é ainda mais gritante, normalmente nem os partidos de esquerda conseguem cumprir a cota mínima de mulheres candidatas, quanto mais conseguirem que elas sejam eleitas, um percentual ainda menor.

No entanto, é necessário perceber que estamos num momento muito favorável para o crescimento do movimento de mulheres e para o avanço da emancipação feminina no Brasil. Pela primeira vez temos uma mulher candidata a presidência da República com viabilidade eleitoral. Dilma é uma mulher com vontade própria, com preparo e condição para dirigir o país. Tal fato é sem dúvida um símbolo muito grande do avanço da consciência popular quanto à condição da mulher. No Paraná, também temos Gleisi Hoffman candidata ao senado que lidera as pesquisas eleitorais.

É preciso aproveitar tais momentos, momentos estes que a questão da emancipação feminina é pauta geral no Brasil, que as qualidades da mulher frente à administraçãonúmero de mulheres na luta por seus direitos, nos movimentos sociais, nas candidaturas. É preciso trazer mais mulheres jovens para esta luta, é necessário que neste momento de reorganização da Juventude Petista, desde já a questão feminina seja central e que a subestimação da figura da mulher seja superada dentro das organizações políticas e partidárias. política e os espaços de poder estão presentes nas conversas do dia-a-dia, e ocupar tais ambientes, organizar o maior Pois esta discussão e organização deve deixar de ser de poucas que já despertaram suas consciências, mas passar a ser a reivindicação de uma grandeas mulheres, e claro apoiadas pela outra metade, seus filhos, massa, passar a ser a luta de metade da população, isto é, companheiros, maridos e simpatizantes.


Um comentário:

Anônimo disse...

Executiva do PT aprova apoio a Pessuti; ouça o áudio
8 de Junho de 2010
* Petistas abrem mão da vice para outro partido coligado



Ênio Verri anuncia apoio a Pessuti.
O presidente estadual do PT, deputado Ênio Verri, disse hoje (8) ao blog que a executiva do partido aprovou ontem indicativo de coligação para a reeleição governador Orlando Pessuti (PMDB).

O passo em direção ao PMDB ocorre uma semana depois de Pessuti conversar – e cantar – com Pessuti.

Verri afirmou que a chapa para o Senador teria a dobradinha do ex-governador Roberto Requião (PMDB) com a ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O presidente da legenda petista acredita que o senador Osmar Dias (PDT) não disputará mais o Palácio Iguaçu.

Ênio Verri revelou também que o PT está conversando com o PRTB, PR e PCdoB para a composição de uma chapa proporcional.

“O único senão com o PMDB é a chapa proporcional. Nesse caso, o PT não fechará com os peemedebistas”, informou o presidente do PT, que garante que o partido optaria pela candidatura do ex-prefeito de Londrina Nedson Micheletti.

Ouça o presidente do PT, deputado Ênio Verri:



Link alternativo: http://www.esmaelmorais.com.br/audio/enio080610.mp3

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← A escolinha de Pessuti ao vivo (encerrada)0 Comentário on “Executiva do PT aprova apoio a Pessuti; ouça o áudio”
#1 marlus
dia 8 de Junho de 2010 às 11:14 Seu comentário precisar ser aprovado pelo moderador.
Caso isso se concretize, Osmar Dias não terá nenhuma chance para o Senado. E, se Beto tiver que enfrentar o esquema do PMDB Estadual e o PT Federal, também não terá chance. Serão todos contra o Beto. Os trezentos e noventa e nove municipios organizados do PMDM, mais de 250 prefeitos, mais de 1.000 vereadores e ainda o Senador Alvaro Dias que não apoiará esse moleque em hipótese nenhuma. Ele que agóra vai “lamber as suas feridas”. Só para se ter uma ideia do que pode acontecer por ex. em Londrina. De que maneira o Barbosa Neto vai apoiar o Osmar com o Beto para o govêrno e entregar o comando ao Hauly? Da mesma forma Edgar Bueno em Cascavel, Paulo Mac Donald em Foz e Baka em Paranaguá. As questiúnculas regionais terão muita influência na decisão de apôio desses prefeitos ao Beto Richa do PSDB. Acho que o menino vai “ladeira abaixo”.

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