quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A culpa é de quem?

por Marina Periotto

Ainda a pouco, estava conversando com um colega de classe, pelo msn, falávamos dos bares de Maringá, alguns bons, outros ruins, enfim, acabamos entrando num assunto horroroso (pelo menos considerado assim por alguns, principalmente pelos alunos dos cursos de ciências sociais aplicadas da UEM, no caso administração): política. Na verdade, sempre evitei discutir política na sala, apenas complemento com minha opinião quando o assunto surge. Porém, quando você está ligado dos pés a cabeça com alguma coisa, é difícil separar-se dela. O fato é que, delicadamente, esse colega me pediu para não ter, ou evitar me expressar politicamente na sala, pois estou irritando alguns outros colegas, e corro o risco de virar "chacota" entre meus "amigos". Bom, da parte desse meu colega, não sei se ele fez bem ou mal em tentar me avisar, mas acho que teve boas intenções.
Contudo, se antes eu já estava pasma com as atitudes dos alunos, que fazem parte de uma universidade pública, que busca formar profissionais voltados para o desenvolvimento crítico e social, em que alunos e cursos devem ter total clareza das suas participações para que isso ocorra, agora eu estou mais do que indignada. Estou confusa.
A culpa é do curso de administração, que não abre espaços para incitar discussões que contribuam para que os alunos saiam da universidade sendo capazes de formular suas próprias opiniões, e não façam parte do senso comum. Ou a culpa é dos alunos, que anseiam por um diploma, mas não por desenvolvimento intelectual?

2 comentários:

M. Daniel Insaurralde disse...

Oi Marina.

Entendo sua dúvida. Acredito que o desinteresse dos universitários com a política, e da população de modo geral, esta na dificuldade de perceber a aplicação prática da política no dia-a-dia da população. Muitos tem a impressão de que política é aquilo que acontece em Brasília ou na servil câmara de vereadores de Maringá.
Outro ponto tem a ver com um certo egoísmo por parte da comunidade universitária. Você há de convir que a grande maioria dos seus colegas de sala são de classe média ou superior, classe que historicamente, sobretudo no período à partir da redemocratização do Brasil, esta mais preo0cupada com o “farinha-pouca-meu-pirão-primeiro” e “panis et circenses” do que para qualquer outra coisa.
Generalizei ? Talvez. É lógico que existem outros fatores, mas essa é a minha opinião.

Parabéns pra você e pra equipe ( Wil,Carlos e Stefany) pelo Blog.

Abraços.

Diniz Neeto disse...

Excelente o post. Muita gente entra nessa de dizer que não gosta de política e prefere viver longe da realidade, deixando o caminho da política aberto para os espertos e todo o tipo de gente.
Nós fazemos política desde o dia do nosso nascimento. Lutamos pelos nossos direitos, precisamos suprir nossos necessidades e queremos o melhor para nós e as pessoas à nossa volta.
Quanto mais nos articularmos e unirmos em torno de objetivos comuns e solidários mais poderemos fazer uma nova política, onde a nossa vontade se estabeleça, pouco a pouco, na direção de um Brasil onde possamos ser cidadãos.
Ficar a margem não é culpa dos outros, é nossa culpa. A omissão só joga contra nós e o nosso futuro.